BATERIAS
(Automotivas e Estacionárias)
O que
é?
A bateria é
um acumulador recarregável de energia. Sua função é armazenar
energia sob a forma química, que será transformada em energia
elétrica quando o veículo dela necessitar. Ela serve para dar
partida no veículo, fornecer energia para iluminação externa e
interna e manter os "sistemas elétricos e eletrônicos" ativos
enquanto o veículo não estiver em funcionamento.
Uma bateria
automotiva de 12 v é formada por seis elementos constituídos de
placas positivas, negativas, separadores e eletrólito.
Todas as
baterias aparentemente são iguais, porém a tecnologia empregada
na sua fabricação, assim como o processo, os materiais
empregados e o sistema de qualidade são determinantes na
performance e na vida útil do produto.
Cuidados
preventivos no manuseio:
· a
bateria produz gases explosivos. Por isso, evite fumar, produzir
faíscas ou a proximidade de fogo;
· não
incline a bateria, para evitar vazamento de solução ácida,
altamente corrosiva;
· utilize
óculos e luvas de proteção;
· mantenha-a
fora do alcance de crianças;
· leia
o manual de instruções.
Modelos
existentes:
· Baterias
seladas
Toda bateria
automotiva comercializada no mercado brasileiro contém
eletrólito (solução de ácido sulfúrico e água), seja ela selada
ou convencional (com rolhas).
Qualquer
bateria de automóvel (selada ou não) produz gases quando está
sendo utilizada. As baterias seladas têm um respiro, por onde
escapam os gases. Se os gases fossem retidos dentro da bateria,
com o tempo o aumento de pressão faria a bateria explodir. O
termo "selada" é utilizado de forma exagerada, uma vez que
nenhuma bateria é completamente fechada, pois possui respiro.
· Bateria
"livre de manutenção"
Em todo o
mundo existem baterias "livres de manutenção", com rolhas. A
característica "livre de manutenção" está relacionada aos
materiais com que essas baterias são fabricadas. Entende-se como
livres de manutenção aquelas construídas como uma "liga" que
produz baixa liberação de gases, seguindo as normas do BCI (Battery
Council International). Portanto, bateria livre de
manutenção não precisa ser selada.
Existem
várias tecnologias que utilizam prata como elemento de liga para
a fabricação de baterias. No Brasil, existem baterias com grades
fundidas e outras com grades expandidas. Estas (de última
geração) são mais duráveis e com maior desempenho. Somente a
Enertec, em nosso País, faz baterias com liga de prata e grades
expandidas.
Existem
fabricantes que colocam em seus rótulos valores indicativos os
quais não refletem testes amparados por normas nacionais e
internacionais.
Desempenho
de Qualidade - Teste realizado pelo IPT (Instituto de Pesquisas
Tecnológicas do Estado de São Paulo)
Capacidade
em 20 horas
Indica a
quantidade de energia que a bateria consegue armazenar. O teste
é feito descarregando-se a bateria com uma corrente
específica até atingir uma tensão final de 10,5 v.
Saiba como
proporcionar vida longa a sua bateria
1º
Dê partidas curtas, entre 5 e 7 segundos;
2º
Não deixe luzes, rádio ou qualquer equipamento ligado quando o
veículo não estiver em funcionamento;
3º
Uma bateria descarregada pode ser identificada por dificuldade
de partida, luzes fracas, problemas causados por regulador de
voltagem desregulado, correia frouxa ou fio de terra solto;
4º
Lembre-se de que a constatação de defeito só é possível com o
uso de equipamentos que testem todos os elementos da bateria;
5º
Não
aceite que testem sua bateria com cabos, fechando o
curto-circuito entre os pólos. Este procedimento, além de ser
enganoso, pode prejudicar a bateria, fazendo-a ferver, o que não
caracteriza defeito;
6º
Faça
regularmente um check-up na parte elétrica de seu veículo;
7º
Ao
instalar qualquer opcional elétrico não-original, verifique
junto à rede autorizada se é recomendável a substituição da
bateria devido ao aumento da demanda elétrica.
ESCLARECENDO ALGUMAS DÚVIDAS SOBRE BATERIAS E CARREGADORES
Não é difícil ouvirmos, no meio campista,
reclamações e questionamentos sobre a durabilidade das baterias
que equipam nossos veículos de recreação. Diante deste problema,
muitas são as sugestões apresentadas, não raras vezes por pura
intuição, como por exemplo a instalação de um alternador mais
potente, aumento da capacidade das baterias, etc. Tais
indicações pouco ou nada ajudam, tendo em vista a arquitetura do
sistema elétrico utilizado.
De fato, há notáveis diferenças entre o sistema elétrico
automotivo e os chamados “sistemas de serviço”, que seriam os
mais indicados para energizar nossos trailers e motorhomes. O
grande equívoco se dá quando tentamos utilizar um tipo de
sistema, quando a realidade requer outro. Vejamos abaixo, uma
breve descrição dos sistemas a que nos referimos:
1)
SISTEMA
AUTOMOTIVO:
Composto por
bateria chumbo/ácido e alternador, esse sistema é desenhado para
funcionar tão somente enquanto o motor do veículo está em
operação, uma vez que o verdadeiro responsável pelo suprimento
elétrico do automóvel é exclusivamente o alternador, não
havendo, portanto, consumo elétrico digno de nota previsto para
o tempo em que o motor estiver parado. Por esta razão, o sistema
automotivo é também conhecido como “sistema contínuo”. É
notório, também, que o alternador, independentemente de sua
amperagem nominal, é insuficiente para carregar a bateria por
completo, já que os parâmetros fundamentais para que isso
ocorra, a saber, variações corretas de tensão e corrente
mediante o tempo de carga, não são respeitadas, ficando a
bateria limitada a cerca de 70% de sua capacidade total. Não
obstante às considerações até aqui expostas, lembramos,
oportunamente, que as baterias automotivas foram concebidas,
primordialmente, para alimentar o motor de partida do carro,
sendo uma de suas principais características, o fornecimento de
uma corrente inicial elevada, em detrimento de uma capacidade
maior de armazenamento. Aliás, as baterias automotivas também
não suportam descargas profundas, e isso está relacionado às
suas faculdades físico-químicas, o que as torna ainda menos
indicadas para uso em veículos de recreação.
2)
SISTEMA
ELÉTRICO “DE SERVIÇO”:
Concebido
para fornecer energia sem que o gerador esteja necessariamente
ligado, este sistema se presta a disponibilizar a carga
acumulada por períodos mais longos de tempo, de forma linear, e
seu dimensionamento tem foco nos parâmetros de consumo máximo,
utilizando baterias especiais que suportam descargas profundas e
carregadores microprocessados, que fazem uma “leitura” dos
níveis de carga presentes no acumulador, e repondo-os de forma
otimizada.
Os carregadores dos quais falamos, são
os do tipo “inteligente”, que atendem às especificações “U. U.
I.” (3 fases de carga), ou “U. I.” (2 fases de carga), sendo os
primeiros capazes de carregar a bateria em 100% de sua
capacidade.
Trailers e motorhomes, especialmente os mais antigos (e isso
inclui nossos Safaris), possuem sistemas elétricos automotivos
adaptados para o suprimento energético do habitáculo. Talvez
isso se deva a uma possível indisponibilidade tecnológica quando
de sua fabricação, ou ao custo (bem) mais elevado de componentes
específicos, ou, quem sabe, a falhas de projeto devido por falta
de conhecimento técnico orientado à esta questão. De qualquer
forma, se quisermos atualizar nossos equipamentos a contento,
teremos que compreender seu funcionamento básico, para não
incorrer em erros que nos possam levar a frustrações e dispêndio
desnecessário.
Abaixo, enumeramos alguns equívocos cometidos com mais
frequência:
a)
Instalar outro alternador ou instalar outro, mais potente:
Os
alternadores, além de não produzirem uma curva de carga
adequada, ainda pecam por produzir uma tensão muito baixa, na
casa dos 13 ou 14 volts, carregando a bateria em não mais do que
70% de sua capacidade total. Baterias de chumbo/ácido devem ser
carregadas a no máximo 10% de sua corrente nominal. Assim sendo,
uma bateria de 60A deve receber uma corrente de carga de 6A, por
cerca de 10 horas, a uma tensão que varia entre 14,4 a 15,2
volts. Se aplicarmos uma corrente excessivamente alta à bateria,
o eletrólito torna-se mais concentrado nas proximidades das
placas, fazendo surgir um fenômeno chamado “falsa carga”, ponto
a partir do qual nada mais é acumulado. Paralelamente, o
eletrólito se superaquece, provocando a erosão prematura das
placas, consequentemente diminuíndo a vida útil do acumulador.
Face aos
argumentos acima, podemos concluir que, ao instalarmos
alternadores mais potentes, estamos piorando o rendimento
do sistema. Como podemos verificar, alternadores menos potentes
carregam baterias com maior eficiência, o que desfaz o mito de
que os alternadores originais do carro são fracos.
b)
Trocar a bateria por outra de maior capacidade:
Talvez esta seja a alternativa mais correta, muito embora, no
que diz respeito à prática, precisaríamos de um conjunto de
baterias que totalizasse 550A para um alternador de 55A, o que,
na maioria dos casos, constitui solução inviável, tanto por uma
possível indisponibilidade de espaço no veículo, quanto pelo
custo elevado desses componentes.
c)
Usar fontes estabilizadas como carregadores:
Essas fontes são ótimas para alimentar nossos aparelhos de som,
TV, luminárias e eletrônicos em geral, porém, são péssimos
carregadores de bateria, por fornecerem tensão abaixo do valor
ideal, e corrente acima do nível aceitável. O termo “fonte
estabilizada” produz a falsa impressão de que estamos utilizando
o dispositivo correto.
3)
CONCLUSÃO:
De posse dos dados acima, podemos sugerir algumas mudanças que
permitam melhorar ou mudar radicalmente o desempenho do sistema
elétrico de nossos RV’s, senão vejamos:
3.1)
Substituir todo o sistema atual por outro, desenhado
especificamente para esse fim. Esta é a solução mais cara e
complicada de todas, porém, a mais adequada. Os componentes são:
a) Banco de baterias especiais para serviço, de alta
amperagem.
b) Carregador inteligente tipo U. U. I. (3 fases de
carga).
3.2) Uma
alternativa menos cara seria a troca das baterias por outras de
chumbo/ácido, porém, de amperagem maior.
OBS: Nunca
substituir o alternador por outro mais potente, ou adicionar um
segundo alternador.
4)
DICAS DE ECONOMIA DE ENERGIA E CUIDADOS PARA COM BATERIAS DE
CHUMBO/ÁCIDO:
4.1)
Nunca permitir que as baterias se descarreguem completamente;
4.2)
Quanto mais lenta for a carga, melhor. Carregar baterias envolve
mais do que isso, mas a observância deste preceito já é um bom
começo;
4.3) O
uso de flutuadores eletrônicos de carga pode ajudar. Existem
alguns alimentados por painéis solares, que cumprem bem essa
tarefa;
4.4) Dê
preferência ao uso do carregador que veio no veículo. Por mais
antiquados que possam parecer, seu rendimento no quesito “carga
de bateria” supera o dos alternadores e fontes estabilizadas
(essas, fortemente contra-indicadas);
4.5) O
ideal é possuir uma fonte estabilizada bi-volt para alimentar os
dispositivos eletro-eletrônicos durante a permanência no
camping, e um carregador dedicado à bateria, devidamente
chaveado;
4.6)
Verificar periodicamente o nível do eletrólito da bateria, e, se
preciso for, completar com água destilada (nunca com solução
ácida);
4.7)
Mantenha limpos os terminais da bateria;
4.8)
Procure utilizar luminárias econômicas, do tipo fluorescente. Já
é possível encontrar luminárias à base de diodos emissores de
luz (LED), que são infinitamente mais indicadas. Televisores com
tela de cristal líquido também são melhores, por consumirem
cerca de 30% se comparadas às convencionais.
4.9)
Evite o uso de inversores. Tais aparelhos costumam ser grandes
vilões na guerra contra o consumo elétrico excessivo. Se não
houver outro jeito, prefira os totalmente transistorizados, sem
transformador, de onda senoidal ou semi-senoidal.
Espero ter
esclarecido algumas das principais dúvidas sobre baterias e suas
aplicações. Boas acampadas a todos!!!!
Alfie
KG Safari 1980, nº 0239.
INTRODUÇÃO
Nas marinas, nos campings, em fim em todo lugar onde há
concentração de veículos, é comum ouvir exclamações exasperadas
como : “ as minhas baterias estão novamente descarregadas !”, ou
“....duram pouco”, ou “...não agüentam a carga”, ou “...pifam
logo”, etc.. As sugestões que inevitavelmente seguem não variam
muito :
– instale um segundo alternador,
– substitua o alternador por outro mais potente,
– faça carga lenta ( ou rápida ),
– amplie o banco de bateria,
– ponha um alternador para cada banco de bateria,
– etc..
Já se sabe que essas “soluções” não funcionam. Por que ?
Porque há uma diferença fundamental entre o funcionamento do
sistema automotivo
( bateria / alternador ), que auxilia os motores de propulsão, e
o do sistema “reserva de energia”
(bateria de serviço / carregador ). O conhecimento dessa
diferença é de primeira importância para o
usuário ; a explicação detalhada se encontra na 3ª parte deste
documento.
Por falta de informação, muitos donos de barco e marinheiros
usam com toda boa fé
os aparelhos específicos do primeiro sistema para o segundo ;
assim dos alternadores automotivos
quase universalmente usados para recarregar a bateria de
serviço, o que dá os resultados que
sabemos. Por outro lado, o uso de carregadores inadequados é
também responsável por muitos
problemas.
Este estudo tem como propósito esclarecer o funcionamento da
bateria a fim de ver
por que as “soluções” listadas acima não dão certo, mostrar as
diferenças entre o sistema automotivo
e o sistema de serviço e propor soluções mais adequadas.
PRIMEIRA PARTE
CARGA DA BATERIA
Para entender as razões de tanta desgraça com as baterias,
convém estudar, antes
de mais nada, um ciclo de carga correto e ver quais são os
pontos fundamentais do processo.
Para carregar uma bateria é preciso introduzir-na uma certa
quantidade de
“AmpèresHoras” pelo meio de uma corrente elétrica (corrente de
carga). Todavia, a bateria não
armazena “AmpèresHoras” passivamente, mas desenvolve uma certa
repulsão à corrente de carga.
Como consequência, o carregador deve ser programado para se
ajustar constantemente às
condições da bateria e superar sua resistência. Vamos ver passo
a passo como se desenvolve uma
operação de carga e quais são as conseqüências.
1 - ESTUDO DA OPERAÇÃO DE CARGA
Vamos acompanhar um ciclo de carga realizado manualmente por um
operador (atento e paciente...) que dispõe de um carregador
manual com um voltímetro de precisão na faixa 11-15 V, um
amperímetro e um botão de regulagem da corrente.

A bateria que usamos é do tipo ciclável, com capacidade nominal
100Ah, sendo a
sua tensão 11,8 V ( bateria quase totalmente descarregada ).
Nessa altura, é preciso repor uns 90Ah
para carregar a bateria até 100%
Depois de ligar o carregador, o operador regula a corrente de
carga em 10 A ( 10% da capacidade nominal, valor comumente
escolhido para carregadores manuais ). A tensão sobe e se
equilibra num certo valor V1 que depende da carga residual, do
estado da bateria, da sua resistência interna, da temperatura,
do tipo, etc.).
Após alguns momentos, notamos que a amperagem começa a diminuir
e vai
diminuindo até zero se nada for feito. A tensão V1 fica mais ou
menos estável. Esse fenômeno tem
uma explicação : logo que a corrente de carga se estabelece, a
tensão interna da bateria cresce ;
esta tensão, chamada “tensão contra-eletromotor”, se opõe à do
carregador e aos poucos atinge V1,
anulando totalmente a ação do mesmo.
Essa primeira tentativa durou uns 20 minutos. A bateria mal
armazenou 2 ou 3 Ah e
está longe de ser carregada. É evidente que, se o operador não
intervir, a bateria não armazenará
mais nada. Por conseguinte, é necessário re-estabelecer a
corrente ao seu valor inicial de 10 A,
girando o botão de regulagem do carregador. A tensão sobe até
V2. Como anteriormente, a
amperagem não fica estável mas decresce gradativamente, e é
preciso girar novamente o botão de
regulagem para repor a corrente em 10 A ; a tensão sobe para V3,
e assim por diante.
Na prática, para manter a corrente ao valor escolhido, é
necessário girar
continuamente o botão de regulagem, o que eqüivale aumentar a
tensão de carga progressivamente.
Depois de algumas horas, a tensão atinge 14,6 V (nesse momento,
a carga da bateria
é aproximadamente 80% do valor nominal). De repente, aparece uma
mudança importante no
comportamento da bateria : o eletrólito comece a borbulhar ( a
bateria “ferve” ); o eletrólito se
decompõe em oxigênio e hidrogênio. A bateria não aceita mais a
carga e a corrente do carregador
provoca a eletrólise da solução.
Se reduzirmos um pouco a tensão, para 14,4 V, o fenômeno pára
imediatamente.
Vamos então continuar a operação mantendo a tensão em 14,4 V.
Basta não tocar mais no botão de
regulagem.
Como já sabemos, sob tensão constante a corrente diminui. Depois
de 6 a 8 horas, o
valor da corrente atinge 1A. Nesse momento, pode-se considerar
que a bateria está carregada até
100%.
Uma corrente de 1A é bem pequena, mas é suficiente para manter
uma
mini-eletrólise, pouco perceptível, que no decorrer do tempo
provoca a decomposição do eletrólito. É
indispensável reduzir ainda mais a tensão, para 13,6 V (valor
descoberto após várias tentativas), a
fim de evitar totalmente esse fenômeno. Essa tensão, chamada
“tensão de float” ( flutuação ), é ideal
para manter uma bateria não utilizada em boa condição ( pode ser
entre 13V e 13,8 V dependendo
do tipo de bateria ).
Uma bateria não utilizada deve ser mantida carregada. A
tensão de ‘float” pode
ser aplicada por tempo indeterminado ; a corrente muito fraca é
suficiente para compensar as perdas
naturais da bateria e mantê-la completamente carregada sem que
corresse o risco de ferver ou de
ser danificada. Essa fase de “float” é uma vantagem importante
oferecida pelos carregadores
modernos (“inteligentes”) que podem ficar ligados o tempo todo
na bateria sem necessidade de
fiscalização.
O experimento descrito acima permite deduzir algumas observações
interessantes :
1. É obviamente inviável operar o carregador manual como
descrito. O resultado é que
o operador deixa a bateria borbulhar, acreditando que está
carregando enquanto, na
realidade, está se estragando sem armazenar mais carga. É
indispensável
automatizar o carregador.
2. A operação de carga ideal se divide em 3 fases :
A. Primeira fase : corrente constante : a corrente é
mantida constante
enquanto a tensão sobe até o ponto quando acontece a
decomposição do
eletrólito ; ao final desta fase, a bateria acaba carregada
entre 75 e 80% da
sua capacidade nominal,
B. Segunda fase : tensão constante : a tensão fica a
14,4V enquanto a
corrente diminui progressivamente até ~1% da capacidade nominal;
nessa
fase, a carga da bateria está completada até 100% ; é uma fase
demorada,
de 8 a 10 horas,
C. Terceira fase* : float : para manter a carga da
bateria a 100% durante um
tempo indefinido, a tensão do carregador tem que ser rebaixada
para 13,8 V
a fim de evitar todo risco de eletrólise.
* Na realidade essa fase não é tão simples mas não é do nosso
propósito entrar em
detalhes que só interessam especialistas. Basta saber que
carregadores “inteligentes”,
tipo STATPOWER TRUECHARGE ou TECSUP HI-TEC,
mantenham e
preservam as baterias para a maior satisfação do dono.
2 - CARREGADORES “INTELIGENTES”
São chamados “inteligentes” os carregadores cujo programa de
carga é de duas ou
três fases conforme descrito acima, e que são automáticos ( que
não requerem fiscalização
permanente ). Existem dois tipos :
A. Carregador tipo “ UUI” ( fig. 1 )
A curva de 3 fases descrita acima é chamada “UUI” ou “duplo UI”.
É a mais
eficiente, sendo a bateria carregada até 100%. É a curva de
funcionamento de todos
os carregadores da STATPOWER e da TECSUP, e dos alternadores/
carregadores
especiais.
B. Carregador tipo “UI” ( fig. 2 )
Voltando à operação de carga descrita no §1, poderíamos ter
verificado
durante a primeira fase que, quando a tensão atinge 13,8 V, a
bateria já está com
70% da carga nominal. Se iniciarmos a terceira fase naquele
momento, é evidente
que a bateria não chegará aos 100% ; no fim da operação ficará
com aprox. 80% da
carga nominal, mas, em compensação, a corrente residual será 0,1
ou 0,2 A, valor
sem grande perigo para a bateria. Desse modo, a fase “float” se
encontra
confundida com a segunda fase.
Baseando-se nessa observação, dá para imaginar um carregador (
ou um
regulador de tensão de alternador ) de duas fases, mais simples
e mais barato que
um de três fases. É o sistema chamado “UI”, ou “simples UI”. É
suficiente para
aplicações rodoviárias ( o regulador UI é bem mais eficiente que
o regulador
automotivo usual quando se trata de carregar uma bateria ! );
convém também para
barcos de serviço que navegam quase todos os dias.
O regulador BRS da BALMAR é baseado neste princípio.
Fig. 1 Curva de carga "UUI"

FUNCIONAMENTO : automático
A corrente de carga inicial depende da potência do carregador ;
não é
ajustável. A tensão sobe do valor inicial Vi ( tensão da bateria
) até 14,4 V e
fica constante. A corrente fica constante até a tensão atingir
14,4 V, em
seguida decresce. Quando a corrente passa abaixo de 1 A, a
tensão é rebaixada
para 13,8V e fica neste patamar ( tensão de "floating" ); a
corrente é
quase zero.
INCONVENIENTES :
VANTAGENS :
- a bateria pode ser
carregada até 100%
- não há risco de a bateria ferver
- não requer a presença de um operador
- o carregador pode ficar sempre ligado à bateria
não há
constante (1 a 3h)
80% da carga 20% da carga mantem a bateria
carregada a 100%

Fig. 2 Curva da carga "UI"
FUNCIONAMENTO : automático
A corrente de carga depende do carregador ; não é ajustável. A
tensão sobe
do valor inicial Vi ( tensão da bateria ) até 13,8V e fica neste
valor. A corrente fica
constante durante um tempo e depois decresce antes a tensão
atingir 13,8V,
impedindo a carga completar 100%.
INCONVENIENTES : o nível de carga na bateria não ultrapassa
70%.
VANTAGENS :
- não requer a
presença de um operador,
- sendo baixa a tensão de float,, não há risco de a bateria
ferver,
- o carregador pode ficar sempre ligado à bateria, porém é
recomendado
verificar o nível do eletrólito cada mês.

FUNCIONAMENTO : manual
Ao início, o operador ajusta a corrente a, por exemplo, 10A,
sendo a tensão
constante 12,6V. A medida que a resistência interna da bateria
cresce, a corrente
diminui. O operador reajusta a corrente para 10A. A tensão pula
para, digamos,
13V. A corrente diminui, etc.. A regularidade dos patamares e os
valores
dependem da habilidade do operador.
INCONVENIENTES :
- processo muito
lento,
- presença do operador obrigatória,
- quando a tensão ultrapassa 14,4V, a bateria ferve mas está
longe
de ser carregada.
13
Fig. 4 Curva de carga básica de um carregador

FUNCIONAMENTO :
semi-automático
O operador ajusta a corrente inicial, por exemplo 10A. A tensão
sobe.
A corrente cai um pouco. Quando a tensão atingir 14,4V, o
carregador corta
a alimentação. A tensão cai lentamente, não há mais corrente.
Quando a
tensão atingir 12,6V, o carregador liga-se novamente, fornecendo
novamente
a corrente de 10A, etc..
INCONVENIENTES :
- pouco eficiente em
fim de carga,
- a bateria não chega a ser carregada nem até 80%,
- se deixar o carregador ligado, a bateria acaba fervendo,
- requer fiscalização constante.
manual automatizado
3 - OUTROS MEIOS DE CARGA
Os outros tipos de carregadores e os alternadores automotivos
comuns não convém
para carregar corretamente uma bateria. Vejamos por que :
A. Carregador manual ( fig.3 )
Já vemos os inconvenientes deste tipo de aparelho : necessita
uma fiscalização
permanente... ou acaba logo matando a bateria. Vantagem ( só na
compra ) : preço barato ( e nem
sempre ).
B. Carregador semi-automático ( fig. 4 )
É o tipo manual sumariamente automatizado.
Nesse tipo de aparelho, a corrente é mantida constante até a
tensão atingir 14,4 V ;
naquele momento, a alimentação do carregador está
automaticamente desligada. Por conseguinte a
tensão da bateria cai progressivamente ; quando atingir ~12,6 V,
a alimentação volta a ser ligada.
Isso resulta num sistema de pulsações liga-desliga entre 14,4 e
12,6V.
Aparentemente, tal carregador poderia ficar ligado à bateria em
permanência sem
provocar “fervura”, mas na verdade não pode e, de fato, os
fabricantes sérios recomendam uma
verificação periódica (pelo menos semanal ) do nível do
eletrólito, o que é impossível em baterias
seladas ( a MBT já teve problemas com carregadores desse tipo
deixados ligados sem fiscalização
suficiente ; resultado : baterias estragadas após alguns meses
).
Finalmente, comparado com o carregador manual, o carregador
semi- automático
representa um avanço, porém limitado :
– não pode ser abandonado por muito tempo sem fiscalização,
– sendo suprimida a fase de tensão constante, a carga final
nunca ultrapassará os 70 ou
75% da carga nominal ; por causa disto a bateria perderá
definitivamente a capacidade de
recarregar até 100% após alguns meses (“memória” da bateria).
C. Alternador automotivo
O alternador automotivo é um péssimo carregador nas condições
usuais de uso
porque a sua tensão máxima de carga é insuficiente. A tensão do
alternador automotivo está
regulada de fábrica num valor fixo, 13,6V, enquanto é preciso
que a tensão subisse até um valor
entre 14,4V e 15,2 V ( o valor exato depende do tipo da bateria)
para carregar uma bateria mas isso
não é requisito para o funcionamento do sistema automotivo.
SEGUNDA PARTE
FUNCIONAMENTO
DA BATERIA

1 - PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO DA BATERIA
O elemento básico de uma bateria é um conjunto de duas
placas, de composições
diferentes, mergulhadas num líquido apropriado ( o
eletrólito ) e mantidas afastadas uma da outra
por um separador de material isolante porém poroso
de modo que deixasse passar os íons SO4 e
H2 e conseqüentemente a corrente elétrica.
O material ativo da placa positiva é o peróxido de chumbo PbO2.
O material ativo da
placa negativa é o chumbo metálico Pb sob forma esponjosa. O
eletrólito é uma solução de ácido
sulfúrico SO4H2 e água H2O.
A dissimetria química entre as duas placas de materiais
diferentes gera uma tensão
( voltagem ) de aproximadamente 2 Volts.
Se ligarmos uma lâmpada de 2V entre as placas positiva e
negativa, uma corrente se
estabelece, circulando no circuito fechado constituído pela
lâmpada, as placas e o eletrólito, e
constatamos o seguinte :
- a lâmpada se acende ( circuito exterior ),
- no interior da bateria, diversas reações químicas acontecem :
a) o material de cada placa se transforma parcialmente em
sulfato de
chumbo SO4Pb,
b) o eletrólito perde uma parte do seu ácido sulfúrico SO4H2, e
a proporção
de água H2O aumenta.
15
O resultado é que a dissimetria inicial tende a desaparecer. A
corrente diminui até
parar : nesse ponto, vamos dizer que a bateria está
completamente descarregada.
Durante a operação, a bateria transformou uma energia de origem
química em
energia elétrica.
2 - COMPONENTES DA BATERIA
A. Grelha
A grelha é uma alma metálica retangular, usada para suportar os
materiais ativos da
bateria e a conexão que permite a passagem da corrente para o
circuito externo ( o chumbo
esponjoso e o peróxido de chumbo não têm resistência mecânica ).
Existem duas famílias de grelhas, dependendo do material usado
para sua
fabricação :
- grelha chumbo/antimônio : usada nas baterias automotivas,
provoca um consumo
de água significativo,
- grelha chumbo/cálcio : mais moderna.
A grande vantagem da grelha chumbo/cálcio é a redução drástica
do consumo de
água, permitindo assim a construção de baterias seladas ( que
não requerem água ).
B. Placas
Uma grelha empastada com o material ativo torna-se uma “placa”.
A ligação íntima
da grelha e do material ativo é uma operação bastante difícil
mas extremamente importante, já que a
vida da bateria depende muito da sua qualidade.
As placas positivas são “carregadas” com peróxido de chumbo, uma
pasta de cor
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