A cidade tem nome de santo, mas já foi terra de índio bravo e negros guerreiros. Os primeiros habitantes da região de São Roque de Minas foram os índios cataguases, que apesar da fama de ferozes, foram dizimados pelos brancos ainda no século XVII. Praticamente nada ficou deles, além do nome. Depois vieram os negros escravos fugidos que formaram alguns quilombos célebres na região da Serra da Canastra. O mais famoso foi o do Pai Inácio, que dizem ter sido tão grande quanto o de Palmares. Os negros aproveitaram muito bem a abundância de água e as terras férteis da cabeceira do São Francisco e viviam da agricultura, da pesca e da caça. Resistiram durante longos anos ao domínio dos brancos, mas foram aniquilados numa batalha sangrenta sob o comando de um certo Diogo Bueno da Fonseca, em meados do século XVIII. A herança dos escravos guerreiros ficou em nomes como Ribeirão do Quilombo, cachoeira do Quilombo e Capão Forro, nome que pode ser "traduzido" por mata do escravo livre. Em 1819, o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire conheceu a Serra da Canastra e revelou que a cidade de Piunhi nasceu de um acampamento de soldados reunidos para combater os negros da Canastra. A população encontrada por Saint-Hilaire nas fazendas da época já era outra: brancos e mestiços vindos dos centros de mineração em decadência, os primeiros habitantes da pequena povoação que se formaria próximo à capela de São Roque e se tornaria distrito de Piunhi em 1842. Quase um século depois, em 1938, São Roque virou cidade independente, mas trocou de nome: Guia Lopes, em homenagem a José Francisco Lopes, o guia das tropas brasileiras no episódio da guerra do Paraguai conhecido como Retirada da Laguna. Só em 1962, a cidade foi legalmente rebatizada com o nome atual, São Roque de Minas. |